sábado, 25 de julho de 2009

Bactérias X hidróxido de cálcioX micro-anatomia

!!!!! ????? Bactérias...hidróxido de cálcio...micro-anatomia !!!! ????

Sabemos que o hidróxido de cálcio (HC) continua até hoje como sendo a melhor medicação intra-canal disponível, capaz de reduzir a flora bacteriana endodôntica, fato que foi provado pela análise realizada por Law & Messer em 2004. Porém, sabemos também que o HC possui inúmeras limitações o que nos faz questionar a validade de seu uso ou não.

O alto pH do HC gera seu maior benefício, pois sabemos que as bactérias não suportam um ambiente muito alcalino, conferindo assim seu efeito bactericida. A atividade antimicrobiana é relacionada à liberação de íons hidroxila em um ambiente aquoso, capaz de desestruturar a membrana citoplasmática bacteriana, desnaturação protéica e danos ao seu DNA. Porém, já está mais do que provado que o seu efeito ocorre quando é colocado em contato direto com a bactéria ( El Karim et al 2007). Alem disso, sabemos que seu potencial bactericida acontece somente se o seu alto pH for mantido. Se o HC se espalhar, a concentração de íons hidroxila tende a diminuir e o efeito antimicrobiano a se reduzir. Por outro lado, para que esta medicação seja eficiente, os íons hidroxila devem se difundir e necessariamente alcançar as bactérias nos túbulos dentinários. A difusão ocorre, porém os estudos já mostraram que a alteração de pH produzida na dentina é tempo e distância dependentes ( Tronstad, 1980).

Então como inserir o HC? Com que veículo? No aquoso a eficiência da pasta é perdida rapidamente; os oleosos diminuem esta solubilidade, porém também diminuem a difusão na dentina e Safavi & Nakayama em 2000 mostraram que altas concentrações de propilenoglicol ou glicerina diminuem a efetividade do HC por reduzir a liberação dos íons hidroxila...

Nair em 2004 na Crit Rev Oral Biol Med escreve : even when the highest standards are met and the most careful procedures followed, failures still occur, because of anatomical complexity of the root canal system” e antes disso, em 1990 mostrou que os micro-organismos responsáveis pelo insucesso estão agregados e localizados em pequenos canais das ramificações apicais ou em espaços entre a obturação e a parede do canal.

Mais do que isso sabemos que as E faecalis estão diretamente relacionadas aos casos de infecção persistente, aos insucessos e também já está demonstrado que HC não é efetivo contra essas bactérias (Siqueira Jr et al, 2000), já que as mesmas podem penetrar com facilidade nos túbulos dentinários e até mesmo tamponar os efeitos do alto pH promovido pelo HC.

Não podemos ainda deixar de citar Fernando Goldberg que em 2002, (ainda que em canais laterais simulados) provou que a obturação do sistema de canais fica prejudicada quando utilizamos HC como medicação intra-canal.

Porém, como escrevi no início continua até hoje como sendo a melhor medicação intra-canal disponível...mas melhor disponível significa boa ? eficiente? necessária?

Se conseguirmos realmente dominar a anatomia, com muito treino e técnica, usando o que existe de realmente eficiente na descontaminação, seja em substâncias auxiliares, seja na instrumentação, seja na técnica de obturação não estaremos sendo mais coerentes ou com bom senso? Qual seria o motivo para não realizarmos sessão única? Com pequenas alterações repito o que o Prof. Ronaldo disse: o organismo está ato a combater grande parte das patologias e dispõe de recursos fantásticos para isso, basta darmos uma chance para ele, fazendo a nossa parte.

É extremamente aceitável a preferência por uma medicação intracanal, mesmo após uma completa limpeza e modelagem. Todavia, não se pode negar o alto índice de sucesso clínico radiográfico, obtido em tratamentos endodônticos realizados em sessão única. Felizmente, as evidências científicas orientam a discussão muito saudável e controvertida sobre Bactérias, Hidróxido de Cálcio e Micro-anatomia.

Profissionais competentes são aqueles que celebram as diferenças!

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