sábado, 25 de julho de 2009

Endodontia contemporânea

1. OBE (odontologia baseada em evidências) ou EBD (evidence based dentistry) .....é, "A integração da pesquisa científica, experiência clínica profissional e valores (preferências) do paciente" (Sacket, 2000). Pierre Machtou afirma que a experiência do operador é o fator principal. Por outro lado, Gustavo De Deus nos orienta (conferência - Européia - Escócia 2009) ao afirmar que a Endodontia Baseada em Evidências é o inter-relacionamento entre 4 fatores: 1. Paciente (preferência); 2. Dentista (habilidade profissional-expertise); 3. Literatura (evidência padrão ouro); 4. Biologia celular e molecular.
2. As evidências científicas revelam ausência de diferenças significantes de sucesso entre tratamentos executados em sessão única e em sessões múltiplas (Sathorn et al. 2005; Figini et al. 2007; Ng et al. 2008). A literatura revela também, ausência de diferenças em relação à dor/flare-up (Figini et al. 2007; Sathorn et al. 2008).
3. A aceitação de novos conceitos, idéias e tecnologias está mais relacionada à preferência individual do dentista clínico e pesquisador, do que aos conceitos de biologia (Granados et al 1997).
4. A escolha do tratamento em sessões múltiplas é dependente do controle da infecção por meio de medicação intracanal (Hidróxido de Cálcio), embora evidências disponíveis na literatura não suportarem esta conduta clínica (Sathorn et al. 2007)
5. Testes microbiológicos negativos baseados em cultura é contestável porque a tecnologia atual parece ser capaz de identificar somente 12 espécies. Técnicas moleculares conseguem identificar 40 espécies. Não existe até o momento tecnologia para coleta de micro-organismos em áreas inacessíveis de túbulos dentinários e ramificações, incluindo istmos intercanais, canais laterais e colaterais, deltas, forames e foraminas apicais. (Siqueira et al. 2000; Nair et al. 2005)
6. Love et al JOE 1996 demonstraram que que a penetração de bactérias varia de acordo o com nível do canal da raiz. Enquanto a penetração de bactérias em túbulos dentinários no terço cervical atinge 200 microns, no terço apical atinge no máximo 60 microns. Autores contemporâneos acreditam que a espessura de 60 microns de dentina infectada pode ser removida com duas limas além do diâmetro anatômico do canal radicular apical. Sob aspecto clínico o raciocínio parece razoável.
7. Apologistas da sessão única, regra geral, acreditam que a patência do forame apical é fundamental para o êxito do tratamento. Alguns adeptos das sessões múltiplas evitam a patência, preconizam a medicação intracanal com H. de Cálcio ou H. de Cálcio com Iodorformio e limitam a instrumentação até o batente apical.
A dentina apical provavelmente é mais impermeável a desinfetantes (Paque et al IEJ 2006) e as bactérias estão localizadas principalmente nos 2 milímetros finais do sistema de canais radiculares. Molven et al. Endod Traumatol 1991, localizaram bactérias no ápice radicular (nível do forame) em 83,3 % de dentes com lesões periapicais. Uma reflexão sobre os dados apresentados e a patência do forame apical é extremamente interessante para os endodontistas mais cuidadosos.
8. Patência evita o bloqueio do forame apical, túbulos dentiñários e canais laterais com smear layer. Bloqueio é o melhor caminho para o transporte do forame e formação de degrau. A formação de degrau é a antessala da perfuração e do insucesso do tratamento endodôntico.

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