quinta-feira, 10 de junho de 2010

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O andar do Bêbado - Leonard Mlodinow

“Suponha que vc tenha enviado o manuscrito do seu romance de suspense sobre o amor, a guerra e o aquecimento global a 4 editores, e que TODOS o tenha rejeitado. Sua intuição natural e a sensação esquisita na boca do estomago geralmente lhe dizem que a rejeição de tantos editores experientes significa que o seu romance realmente não é bom.
Mas será mesmo que essa intuição é correta?
Será o texto não merece ser publicado?
Será que o romance é realmente impossível de vender?
O ponto é que nos anos 50, um certo livro foi rejeitado por vários editores, que responderam com comentários do tipo “muito maçante”, “um registro enfadonho de querelas familiares típicas, aborrecimentos insignificantes e emoções adolescentes” e “mesmo que houvesse surgido 5 anos trás, quando a Segunda Guerra Mundial ainda era um tema oportuno, não me parece que teria qq chance de vendagem”. O livro “O diário de Anne Frank” vendeu 30 milhões de copias, tornando-se uma das obras mais vendidas da história. Cartas semelhantes foram enviadas a brilhante poetisa Sylvia Plath, pq “definitivamente não pudemos notar um mínimo de talento genuíno”; a George Orwell, por “A Revolução dos Bichos”, pq “é impossível vender historias de bichos nos USA”; e a Isaac Bashevis Singer, pq “são a Polônia e os Judeus ricos outra vez”. Antes de ficar famoso, Tony Hillerman se viu abandonado pelo seu agente, que o aconselhou a “se livrar de todo esse negócio sobre índios se ele não quisesse morrer de fome”.
    Esses não foram erros de julgamento isolados. De fato, muitos livros destinados a serem grande sucessos editoriais tiveram que sobreviver não só a rejeição, mas a rejeição repetida e sistematizada. Por exemplo, atualmente considera-se que poucos livros despertem um fascínio mais evidente e universal que as obras de John Grisham e J.K. Rowling. Ainda assim, os textos que esses autores escreveram antes de serem famosos – e que seriam no futuro muito bem sucedidos – foram repetidamente rejeitados no passado. O manuscrito de “Tempo de Matar” de John Grisham, foi rejeitado por 26 editores; segundo original “A firma”, somente foi capaz de atrair a atenção de alguns editores depois que uma copia pirata que circulava em Hollywood lhe rendeu US$ 600.000 pelos direitos para a produção de um filme. O primeiro Harry Porter, de J.K. Rowling foi rejeitado por 19 editores.
    Sendo assim, existem o outro lado da moeda – o lado que qq pessoa do mundo dos negócios conhece muito bem: os muitos e muitos autores que tinham grande potencial, mas jamais se tornaram conhecidos. Os “John Grishams” ou os de “J.K. Rowlings”que desistiram depois das primeiras 15 rejeições, por exemplo. Depois de ser rejeitado por muitas vezes, um desses autores, John Kennedy Toole, perdeu a esperança de ter ser romance publicado algum dia e cometeu suicídio. No entanto, sua mãe preservou o manuscrito e 11 anos depois “Uma confraria de Tolos” foi publicado, ganhou o prêmio Pulitzer e vendeu mais 20 milhões de exemplares no mundo tornando-se um clássico da leitura Cult. 
     Existem um amplo fosso de aleatoriedade e incerteza entre a criação de um grande romance – ou jóia, ou cookies com pedaços de chocolate, por exemplo - e a presença de grandes pilhas de um determinado romance nas vitrines de milhares de lojas. É por isso que as pessoas bem sucedidas em todas as áreas quase que 100% das vezes façam parte de um mesmo grupo – O GRUPO DE PESSOAS QUE NÃO DESISTEM.” 


Texto encaminhado pelo meu amigo e colega Gustavo De-Deus.

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