domingo, 12 de fevereiro de 2012

Silêncio



Prática do Silêncio
Se queremos saber quem somos e entrar em contato com a natureza real, silenciosa e profunda de nossa vida, temos de ser como realmente somos. De que modo? Através do silêncio e meditação. (…) . É muito difícil manifestar simplicidade e tranquilidade vivendo em nosso mundo complicado. Vivendo num mundo assim, como podemos manifestar ou compreender a simplcidade? Para nós, essa é uma questão difícil, mas temos de fazê-lo porque se trata de nossa natureza original. Assim, a cada dia, tentamos praticar. A fim de nos submetermos na vida à tranquilidade ou à simplicidade, praticamos meditação e silêncio.

Dainin Katagiri

Suponhamos que resolvêssemos fazer a seguinte experiência: escolheríamos de forma mais ou menos aleatória dez pessoas do nosso círculo de amizade e proporíamos a cada uma permanecer durante sete minutos sentada em silêncio sem nada fazer e, igualmente, sem em nada pensar. Asseguro-lhes que, no mínimo, cinquenta por cento não conseguiriam. E quando arrisco cinquenta por cento estou sendo otimista, pois, muito provavelmente, o percentual dos que se mostrariam incapazes do feito seria bem maior. Mas, afirmo sem medo de errar, essa prática aparentemente tão simples é suficiente para operar milagres na vida de qualquer pessoa que resolva levá-la a sério.

Para a maioria das pessoas, é quase imossível ficar a sós em silêncio, sem fazer nada, durante alguns minutos. Tudo neste mundo atribulado do século XXI nos impele a fazer. Temos sempre que estar fazendo ou pensando em algo. Na maioria das vezes, somos forçados mesmo a ir para. Ir para onde? Não importa, temos que ir para. Ou seja, seguir, de preferência correndo. Todos seguem para. Mas se indagarmos: “Aonde você pretende chegar?”, a maioria não terá uma resposta convincente ou satisfatória.

Precisamos, todos nós, de um mínimo de silêncio e quietude. Para a maioria de nós, porém, é quase impossível praticar tanto uma coisa quanto a outra.   Por isso quero lembrar aqui um Mestre muito querido, com o qual tenho aprendido um pouco da arte de silenciar. O seu nome é Dainin Katagiri (1928-1990). Ele nasceu em Osaka, no Japão, passando a residir nos Estados Unidos em 1963, onde se dedicou ao ensino da meditação Zen-budista.

Dainin Katagiri recomenda uma prática simples, conhecida no Zen pelo nome de Zazen:  sentar em silêncio, de pernas cruzadas, durante alguns minutos. Enquanto se permanece sentado, deve-se procurar não pensar em nada. Pode parecer impossível para muitas pessoas não pensar em nada. Há, no entanto, um mecanismo simples e eficaz para consegui-lo: basta não reter os pensamentos, ou seja, não se fixar às imagens que vão surgindo na mente. Nem impedir que os pensamentos apreçam na mente. Apenas ignore. Relaxe. Quando as imagens surgirem, deixe-as passar, como se sua mente fosse uma tela de cinema, em que as imagens passam sem que você as retenha. 

Somos, simultaneamente, quietude e movimento. A vida não pode parar enquanto estamos vivos. Mas, imersos no dinamismo inerente à vida, podemos cultivar o repouso, e um dos caminhos para consegui-lo é permanecer em silêncio durante alguns minutos do dia.

“Se você observa uma cachoeira a distância”, diz Dainin Katagiri, “ela aparenta estar em repouso, mas se você a observa mais de perto, ela está em constante movimento. A natureza original da consciência humana assemelha-se a uma cachoeira serena e tranquila mas, ao mesmo tempo, dinâmica."

Desligue o celular, desligue a TV., desligue a internet, esqueça os julgamentos, fique ZEN, fique em silêncio...

Adaptado por Ruy Hizatugu na madrugada de 11-02-2012.

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