quinta-feira, 28 de junho de 2012

Médicos devem saber como seus pacientes pensam


"Médicos devem saber como seus pacientes pensam", dizem professores de Harvard


[...] Evidence-based medicine risks having the doctor choose care passively, solely by the numbers. Statistics cannot substitute for the human being before you; statistics embody averages, not individuals. Numbers can only complement a physician's personal experience with a drug or a procedure, as well as his knowledge of whether a "best" therapy from a clinical trial fits a patient's particular needs and values.

Each morning as rounds began, I watched the students and residents eye their algorithms and then invoke statistics from recent studies. I concluded that the next generation of doctors was being conditioned to function like a well-programmed computer that operates within a strict binary framework. After several weeks of unease about the students' and residents' reliance on algorithms and evidence-based therapies alone, and my equally unsettling sense that I didn't know how to broaden their perspective and show them otherwise, I asked myself a simple question: How should a doctor think?

This question, not surprisingly, spawned others: Do different doctors think differently? Are different forms of thinking more or less prevalent among the different specialties? In other words, do surgeons thinks differently from internists, who think differently from pediatricians? Is there one "best" way to think, or are there multiple, alternative styles that can reach a correct diagnosis and choose the most effective treatment? How does a doctor think when he is forced to improvise, when confronted with a problem for which there is little or no precedent? (Here algorithms are essentially irrelevant and statistical evidence is absent.)...
 
(How Doctor's Think. Jerome Groopman. 2008)

Algumas pessoas buscam apoio nas pesquisas e nas estatísticas sobre os tratamentos, mas vocês dizem que isso não ajuda. Por quê?
Hartzband - É preciso ter muito cuidado com números. No livro falamos de uma mulher cujo médico disse que, se ela tomasse uma estatina contra colesterol, seu risco de infarto seria reduzido em 30%. Mas, quando ela procurou saber o risco de uma pessoa como ela sofrer um infarto nos dez anos seguintes, sem tomar remédio algum, viu que era de 1%. Então seu risco de 1% poderia ser reduzido em 30%. Quando você ouve que o risco é reduzido em 30%, sua mente o engana. Você pensa que seu risco é de 100%. Os números são difíceis de interpretar.
O risco de um nódulo na tireoide ser câncer é de 16%, segundo estudos. Para o indivíduo, é sim ou não: ele tem ou não tem. Um "maximalista" diria: "Quero remover o nódulo". Um minimalista, não. O mesmo número tem um impacto diferente dependendo da sua mentalidade.
Se os pacientes têm seus vieses, os médicos também os têm. Um especialista tende a recomendar mais as técnicas que ele mesmo usa. O que o paciente deve fazer?
Groopman - Se um paciente entende por que recebe indicações diferentes e que isso tem base na mentalidade do médico, isso o ajuda a se perguntar: "Qual é a minha mentalidade? Até onde estou disposto a me arriscar?". Quanto mais os pacientes entendem os riscos e os benefícios de tomar um remédio, maior é a diversidade de escolhas de cada um. Acreditamos em uma medicina baseada em avaliação cuidadosa, não só em evidências. Você olha as evidências e faz sua avaliação com base no paciente.

PAMELA HARTZBAND  IDADE 60 anos FORMAÇÃO E ATUAÇÃO
Médica pela Escola de Medicina de Harvard, onde hoje dá aulas. Especializou-se em endocrinologia pela Universidade da Califórnia. É autora de estudos sobre o impacto da internet na cultura da atenção à saúde e da aplicação de diretrizes
JEROME GROOPMAN  IDADE 60 anos FORMAÇÃO E ATUAÇÃO
Médico pela Universidade Columbia, em Nova York, especialista em hematologia e oncologia pela Universidade da Califórnia. É professor na Escola de Medicina de Harvard e escreveu "Como os Médicos Pensam" (Ed. Agir, 2008), entre outros livros



Nenhum comentário:

Postar um comentário